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Manejo da Poda ( 2015 )

                                        

                                                             Considerações técnicas da  Poda em Oliveiras

 

                   Por tudo o que já observamos no trato cultural da poda da oliveira, ao certo não é exagero quando dizemos que repousa aqui grande parte do sucesso ou fracasso na condução do olival, com reflexos diretos e indiretos nos custos e rendimento final do cultivo.

                  Diante da pouca experiência que temos, em olivais de menos de 10 anos de implantação, fica bastante difícil de firmarmos algum tipo de parecer objetivo e fechado sobre o tema "poda em oliveiras", um cultivo de tradições milenares.

                  Hoje, passados quase 8 anos do início efetivo do plantio, já podemos afirmar com convicção que no nosso clima, torna-se bastante difícil regular o crescimento da oliveira por meio da poda.

 

                 Na região mediterrânea, berço da olivicultura, notamos uma grande ebulição de pesquisa nas últimas décadas. Parâmetros antes intocáveis, hoje terminam por enfrentar constantes atualizações, muitos deles caindo em total desuso.

                 Pelo custo crescente da terra, da mão de obra e dos gastos fitossanitários de manutenção, hoje a produção buscada em nada lembra aqueles poucos kgs por árvore, alcançados em pequenos e descansados vilarejos na costa mediterrânea. 

 

                 A olivicultura tradicional, passada de pai para filho por gerações, hoje não mais encontra espaço comercial no mundo moderno, com a globalização, com o crescente incremento de custos e com os efeitos diretos da irregularidade climática, a busca por resultados produtivos mais sólidos passou a  ser um diferencial, ao certo será o divisor entre os produtores de  sucesso e os demais, que serão fatalmente forçados a deixar o cultivo.

 

                  Assim tem ocorrido com os padrões de tudo o que se pensava sobre poda: compassos de plantio, técnicas de condução, produção e renovação dos olivais, formato de copa, altura e intensidade de copa, periodicidade da poda e principalmente OS EFEITOS DA PODA.

 

                  Hoje já sabemos e comprovamos que a produção da oliveira dependerá de um delicado equilíbrio entre folhas, madeira e raízes. Mas tal resultado é de complicado alcance, e já analisamos o intrincado relacionamento hormonal e ação e reação entre o ato de podar ou não. Logo, uma vez efetuada a poda, existe uma gama de efeitos benéficos ou não ao resultado final  " produtividade ".

 

                  Na busca de tais resultados e respostas para tantas perguntas ainda sem solução específica ao cultivo de oliveiras em solo brasileiro, a Bosque Olivos vem realizando a implantação experimentos com diversas modalidades de poda, com uso controlado de informações de suas implicações diretas e indiretas em relação a: intensidade, periodicidade, efeitos sanitários, reflexos dos custos da colheita, rendimentos em kg/frutas por árvores e kg/azeite por árvores.

                 

                 Antigamente, a oliveira era respeitada no seu tempo, no seu ritmo, e terminava por colocar poucos galhos por ano, em um equilíbrio perfeito de lenta condução de raízes, madeira e folhas.

                 Agora, o mundo moderno não dispõe mais de tempo, não podemos aguardar mais de 10 anos para vislumbrar uma lenta definição de ramos principais. O novo investidor tem contra si o custo do capital, precisamos de técnicas modernas de rápida formação, precisamos que a oliveira ano a ano seja mais precoce, entre em produção mais cedo e de forma mais regular, enfim, os custos iniciais necessitam de rápida amortização.

                 Nesse momento iniciam os problemas de tentar muitas vezes entrar em choque com as características fenológicas da cultura e buscar de forma equivocada um processo demasiadamente acelerado, que rapidamente, demonstrará no estágio seguinte um tempo maior de reação, defesa e busca natural pela autoregulação, gerando com isso uma perda final ainda maior do tempo " em tese ", ganho com uma poda forçada e precoce. No mesmo sentido, para plantas mais fracas ou sensíveis por diversos fatores, internos ou mesmo externos ( do meio ), tal implicação poderá levar ao aumento considerável de perda de indivíduos, aumentando assim o % de mudas a serem replantadas.

 

                 Desta forma, um dos fatores que irão nortear todo o projeto de poda do olival, ao certo será o fator tempo, onde deveremos analisar de forma criteriosa o que queremos e para quando queremos, pois nem sempre poderemos acelerar o processo sem uma reação proporcional logo ali na frente.

                  A oliveira necessita de um período mínimo de tempo para conseguir  desenvolver um equilíbrio entre o seu enraizamento, a sua definição de cruz ( ramos principais ) e a sua adaptação na mudança das fases inicial para juvenil e posteriormente entrada da fase adulta, possibilitando assim um certo equilíbrio em uma fase de natural ebulição hormonal.

 

                 Conseguirmos o equilíbrio durante esse processo, nem sempre é fácil, pois ainda temos outras importantes variantes, tais como características próprias das cultivar (genótipo) e influências do meio sobre a mesma (fenótipo), como solo, umidade, fertilidade, pragas e intensidade dos ventos, características da mudas adquiridas, e tantas outras informações que todos os dias descobrimos ao longo da vivência diária dentro do olival.

 

                 Somado a isso, não podemos esquecer que a oliveira é um dos exemplares conhecidos do reino vegetal, de maior capacidade de adaptação e platicidade, o que por si só já nos dificulta em muito uma tomada de posição como definitiva, pois apesar de ser a cultura perene de maior abrangência em área plantada no mundo, ainda hoje surpreende os pesquisadores e produtores com seus sistemas de defesa, compensação e translocação de nutrientes, trocas hormonais e sistemas complexos de ação e reação ao longo das épocas do ano ( dormência,  vegetação,  floração  e  produção ).

 

                  Outro ponto muito importante para ser pensado já na fase de planejamento/implantação do olival é a correta e ambiental destinação do grande volume de resíduos sólidos na época da poda, pois como já observamos ao longo desses anos de estudo o crescimento de seu volume é proporcional aos anos de crescimento do cultivo, sofrendo algumas variações em razão da intensidade da poda, mas sempre num volume considerável!Nesse sentido, a Bosque Olivos buscando uma reciclagem de nutrientes, com redução de perda e transferência dos mesmos para fora do olival, busca através de um sistema de compostagem a devolução desse material, depois de transformado, ao sistema produtivo, tentando assim reduzir ao máximo a produção de resíduos.

 

 

                 Finalizando, entendemos por todos os experimentos de poda já realizados em nossa propriedade, bem como pela análise e coleta diária de informações,  que não existem ainda parâmetros certos, fechados e seguros sobre a condução do olival em seus primeiros anos de implantação, devendo ser muito bem pensado e planejado todo o estágio de estudo e implantação do olival, pois os erros e acertos terão implicações diretas  nas próximas décadas após o seu efetivo plantio!

 

                Cada produtor deverá, de posse de todas as variáveis presentes em sua propriedade, fazer um estudo criterioso do caso e, depois de alguma pesquisa sobre o tema, definir ao menos dois ou três parâmetros de poda a serem implantados, minimizando assim o risco de erro na totalidade de suas árvores, buscando sempre  respostas para tão complexo e apaixonante tema!

 

                                                  Tales M. Altoé

                                              (Setembro de 2015)

                                                 (Bosque Olivos)

 


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