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Adubação inicial do Olival

                                

                                 Uma das questões mais intrigantes do manejo e condução integrada do olival, é a definição a ser dada em relação aos procedimentos de adubação na fase inicial da oliveira.

                                 No início,  por volta de 2006, quando iniciamos os primeiros estudos sobre as características agronônicas da oliveira em solo gaúcho, dada a pouca informação disponível e a quase inexistente experiência prática com o cultivo, tudo era novidade e as perguntas, sem uma efetiva resposta, se multiplicavam.

                                 Aos poucos, passados alguns anos de muita pesquisa e observação, não só no nosso olival, bem como em diversos outros plantados no RS, bem como em estudo comparado com olivais de outros estados, começamos a obter algumas respostas e ensinamentos mais claros e objetivos.

 

                                   No início existia uma preocupação muito grande em formar a oliveira o mais rápido possível, com um acréscimo forte de adubos e fertilizantes, tanto em área total (pré-plantio), como na cova (plantio) e posteriormente em abubação de coroamento (pós-plantio).

 

                                  Respeitadas as características químicas de cada solo, bem como a forma de sua interpretação e condução pelos profissionais que atuaram na formação inicial dos plantios, ao certo, não só no RS mas em todo o país, notamos um traço comum em todos os olivais, uma adubação ao nosso ver (análise de hoje), bastante exagerada, não só na quantidade nominal dos adubos, bem como no seu tempo de aplicação.

                                  Através de estudo comparado com olivais portugueses, espanhóis e italianos, notamos pelos dados contidos na literatura, que a estrutura orgânica da oliveira foi desenvolvida por anos de evolução, para entrar em equilíbrio de crescimento e hormonal aos longo dos primeiros anos, durante o período juvenil

                                 Notamos assim que nos primeiros 3 a 4 anos de plantio das nossas oliveiras, houve uma tendência incontrolável de crescimento, com uma vegetal forte e ininterrupta, incluvise na fase de dormência invernal, que hoje já sabemos que para nós, mesmo no RS, tem se mostra em diferentes níveis (maior ou menor), mas longe de ser total e constante como na região mediterrânea.

                                 Desta forma, temos como um dos principais problemas nos primeiros anos de vida das nossas oliveiras, o controle do seu crescimento numa formação perigosamente acelerada pelo nosso clima e muitas vezes potencializada pela nossa adubação inicial, principalmente pelo uso de nitrogenados.

 

                                 Ao longo dos anos, independente da variedade observada, notamos uma tendência muito grande a alta produção nos primeiros anos, mas com um decréscimo acentuado e incontrolável depois das primeiras intervenções de poda. Notamos assim, que a oliveira tem uma tendência muito forte ao desequilíbrio hormonal no período posterior as primeiras atividades de poda no olival, sendo proporcional ao nível de intervenção, ou seja, quanto maior a incidência da poda, maior o descontrole da planta.

 

                                Mesmo em intervenções leves já é possível analisar uma tendência muito grande de resposta em brotação e direcionamento de nutrientes, o que trará uma grande variação no período posterior de produção, com interferência direta na diferenciação floral / vegetativa.

 

                                 Reforçando esses argumentos, ainda analisamos a dificuldade enfrentada pelos produtores em implantar e conduzir um pomar frutífero por um período mínimo de 05 anos para obter a sua primeira colheita econômicamente viável, com um aporte de investimentos em adubos, e demais insumos necessários ao ideal desenvolvimento do seu olival.

                                 Hoje analisamos a falta de sentido prático, botânico e principlamente econômico de realizar uma condução forçada de um olival, para posterior, passada a primeira ou segunda colheita (6 e 7 anos), sermos obrigados a entrar com intervenções médias e fortes de poda, tentando-se, muitas vezes em vão, um controle de volume lateral e principlamente na altura da planta.

 

                                 Da mesma forma, nos parece um pouco sem sentido buscarmos uma correção de solo inicial ideal, com um aporte considerável de calcáreo no primeiro ano, muitas vezes com utilização complementar de gesso agrícola, com exagerados procedimentos de subsolagem, quando o sistema radicular da oliveira está em fase inicial de desenvolvimento, uma vez que sabemos que teremos uma perda de calcáreo aplicado ao longo dos anos, o que nos trará nos primeiros anos de produção, para uma posição de Ph de solo muito parecida ao momento inicial do plantio. Assim, nos parece bastante viável uma análise com técnicos da área, de uma correção de solo parcial, reduzida subsolagem  na preparação do plantio,  com uma complementação anual ou bianual de aplicação em área total de uma quantidade menor de calcáreo e calcite, conforme a recomendação de cada área, pois precisaremos de um solo devidamente corrigido na fase produtiva, visto que na fase inicial de desenvolvimento do plantio, dada a plasticidade da oliveira, mesmo em Phs de solo não ideais, o seu crescimento não é tão afetado, podendo ser revertido ao longo dos anos sem a ocorrência de dano para a planta.

 

                                 A literatura estrangeira, apesar das diferenças de solo e clima, ainda assim nos ensina que passados os primeiros 10 anos de vida da oliveira, notaremos uma alteração drástica na  sua fenologia, com análise de mudanças dráticas na sua produção hormonal, na produção de tecidos e na sua capacidade de crescimento (reduzida), bem como na sua capacidade produtiva (aumentada).

 

                                 Assim, hoje podemos afirmar que não há uma razão técnica, nem econômica em acelerar um crescimento da oliveira nos primeiros anos de seu desenvolvimento, uma vez que toda essa força absorvida e acumulada pela planta, será posteriormente transformada em um problema bastante sério na condução futura do olival, com implicações diretas de dificuldade no procedimento de colheita, bem como em acréscimos financeiros consideráveis na estação de poda, fora todas as implicações produtivas já analisadas (desequilíbrio produtivo).

 

                                A nossa indicação  relativa a adubação nos primeiros anos do olival, é buscarmos uma quantidade mínima / necessária de sobrevivência da oliveira, possibilitando com isso um desenvolvimento proporcional do seu sistema radicular e aéreo, sem que com isso seja desequilibrada a necessária harmonia entre raiz - madeira - folhas, buscando-se com isso na medida do possível  uma atuação mínima de poda no olival, que trará influência direta na sua capacidade produtiva futura..

 

                                  Tales Machado Altoé

                                   ( Bosque Olivos )


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