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Implantação do Projeto PRV com ovinos/oliveirasImplantação do Projeto PRV com ovinos/oliveiras

 

 

Antes de se tornar um bom produtor de carne ou de leite, o pecuarista precisa se tornar um excelente produtor de capim ”.

                                                                                                                                                                      Jurandir Melado

 

 

PRV - PASTOREIO RACIONAL VOISIN

 

                   Dando andamento ao projeto já inicialmente implantado em 2013 e depois intensificado no ano de 2015, agora com maior experiência e vários resultados concretos de manejo, iniciamos a fase de transformação da ILPP em um projeto de PRV, integrado ao olival, onde será utilizada uma alta  carga de ovinos, em piquets padronizados em tamanho e com oferta individual e constante de água.

                        Quando André Voisin, lá em 1940, iniciou os primeiros experimentos de rotação de pastagens com aumento de carga, ao certo não tinha noção da grandiosidade de todo o seu trabalho e de como suas teorias seriam por décadas utilizadas como a base fundamental de uma pecuária produtiva, com altas cargas e altos índices de rendimento, viabilizando uma verdadeira revolução de conceitos de como fazer uma pecuária realmente rentável!

                         

                             Num momento em que é buscado um crescente rendimento em todas as atividades pecuárias e agrícolas, mas sem que seja necessária a abertura de novas áreas, o PRV por tudo o que representa, passa a ser visto como um conjunto de medidas e idéias fundamentais que se forem realmente implementadas, de uma forma precisa e correta, ao certo conduzirão o produtor ao crescente sucesso na obtenção de índices inatingíveis em outras sistemas de produção.

                            A sua implantação segue normas rígidas, mas bastantes simples, que ao certo, numa primeira análise podem ser entendidas como óbvias, mas no decorrer do projeto, dada a sua interrelação, o produtor analisará que tudo está intimamente ligado, indo muito além de oportunizar o encontro do boi/ovino com a pastagem!

 

                          A ILPP Integração Lavoura Pecuária Pomar, nos moldes que já estava sendo implantada, agora passa por nova e complementar transformação com o acréscimo das idéias e fundamentos técnicos do sistema de pastoreio em PRV, que trouxe novos e importantes conceitos produtivos que enriqueceram o sistema produtivo já em curso, possibilitando um respeito ao objetivo que norteia todo o funcionamento da propriedade, a implantação de um sistema fechado e equilibrado, sem a produção de resíduos, com a mínima importação de elementos externos ao sistema!

 

                     Ao longo dos anos iniciais de implantação da ILPP, já podemos ver um somatório de vantagens e ganhos, principalmente de fertilidade e composição química e física do nosso solo, tanto de perfil inicial 0 - 30 cm, como no mais profundo de 30 - 60 cm, com ganhos seguros em micros e macros, bem como com uma transformação bastante interessante nos valores de MO. Tais transformações foram sendo implantadas com a redução gradual e constante dos fertilizantes solúveis, uma vez que os níveis de fertilidade dos piquets vem aumentando muito pela deposição diária e constante de esterco e de urina dos ovinos, possibilitando assim a fertilização natural e fechada do sistema, sem a necessidade de importação de produção estranhos ao meio, que ao certo trariam elementos que poderiam desequilibrar o meio ali instalado, sejam eles biológicos ou químicos., mais o fator economia, pois estamos assistindo uma crescente alta no custo dos insumos.

 

                           Com o aumento do rebanho, que passou inicialmente de menos de 10 animais, para hoje, entre matrizes, carneiros e cordeiros nascidos, de mais de 140 animais, com toda a certeza contamos com um aporte de adubo bastante interessante, respeitando sempre a idéia inicial e central da propriedade, já mencionada, de realizar tudo em um ciclo complexo e fechado, onde uma atividade se relaciona e se complementa com as demais, buscando-se sempre a rentabilidade do emprendimento como um todo harmônico e equilibrado!

 

                          Dentro das precisas técnicas de manejo diário ensinadas no sistema PRV, temos um choque de fertilidade/descanso muito interessante, que ao certo, depois de completado o periodo ótimo de descanso, oportunizará novamente ao rebanho, no próximo ciclo de pastoreio, uma carga de massa verde com melhor composição química, bem como alta palatabilidade e incrível valor nutricional. No referido sistema, sendo obedecidas as regras previstas, em cada ciclo de entrada e saída do rebanho, teremos um acréscimo de ganho, e não de perda e enfraquecimento como o ocorrido no pastejo diário e extensivo. A relação entre solo x pastagem x animal com o passar do tempo, em cada novo ciclo trás acréscimos positivos para todo a biocenose.

                         Nessa fase intermediária de implantação do sistema já notamos duas situações de mudanças fundamentais no hábito de pastoreio dos ovinos: primeiro, o bocado aumentou, ou seja, o animal come mais em menor tempo de pastejo, o que oportuniza um descanso maior, enquanto deitado à sombra, masca e digere o que foi capturado e segundo, e mais importante, já notamos uma interessante mudança de hábito numa característica natural dos ovinos, a forte seletividade. A ovelha, independente da raça, tem por natureza, umas mais, outras menos, a caracteristica de escolher e pinçar o que vai comer. Por ser de hábito seletivo, em pastos naturais (policultivo natural), termina por caminhar muito, pisotear bastante e comer pouco. Em piquets de reduzido tamanho, com altas cargas de animais, já notamos uma tendência ao pastoreio voraz, a exemplo do que ocorre com os bovinos de leite. Come rápido o que encontra para não perder aquele pasto ao ovino que está ao seu lado!

                              No mesmo sentido, não podemos perder de vista o gasto energético do animal que caminha muito em busca de pasto ou na procura pela água, já no sistema PRV, quase a totalidade dos nutrientes ingeridos são direcionados ao ganho nutricional, com aumento de resposta de kg/dia de engorda, com melhoramento do escore corporal dos animais e aumentos dos ganhos em produção!

 

                                 Então, com a redução de área disponivível aos animais, aos poucos mudam-se hábitos, que ao certo implicarão lá na frente em seguro e crescente rendimento financeiro ao investidor, uma vez que os animais passaram a andar menos e comer mais, terão uma oferta constante de pasto no seu ponto ótimo nutricional, os animais terão água disponível a vontade, a competição entre animais dominantes/dominados é bastante reduzida, enfim, é uma mudança completa de manejo frente ao que hoje se vê, tornando o rebanho mais dócil e manejável, facilitando a ida e o retorno aos piquets.

 

                            Já notamos nessa fase intermediária de implantação do PRV que o rebanho de ovinos muito rápido passa a entender que o pastor/tratador passa a ser aquela pessoa que o conduz todos os dias para um ótimo pasto, com sombra e água, assim, já é notório o ganho de manejo com os animais, que pela certeza e tranquilidade de saberem que receberão uma área ótima para pastoreio, ficam mais fáceis de manejar e passam a ser bem mais obedientes!

 

                                Da mesma forma que uma década atrás pouco se falava em ecologia e cultivo ecológicos/orgânicos, e hoje passou a ser um requisito imposto em função de uma tomada de consciência por parte do consumidor, novamente estamos diante do nascimento de uma nova e irremediável tendência, a busca por produtos de origem animal que tenham sido produzidos com rígido respeito às normas de bem estar animal.

                                   O sistema PRV já trás na sua sistemática de implantação e funcionamento, um rígido manejo, pautado no bem estar do animal objeto do criatório, de onde se conclui que a sua natureza por essência conceitual, já é um sistema realmente sustentável. Noções como a água ir ao animal, disponibilidade em todos os piquetes de sombra, não ocorrência de fome ou sede, nada de situações de stress, manejo tranquilo e sem agressões, tudo isso faz parte das noções básicas de funcionamento do PRV. A natureza do PRV já incorpora ao seu manejo e aos seus fundamentos básicos, os conceitos da pastagem ecológica, trazendo inúmeros ganhos ao animal que por ali passa o seu dia, com reflexos ecológicos ao meio ambiente como um todo, não apenas ao solo no tocante à sua fertilidade, mas a uma verdadeira recomposição biológica de todo o local pastoreado.

 

                                         Muito rápido o consumidor passará a optar por tais produtos no momento de escolher entre uma carne ou outra, passando tais caraterísticas  de simples detalhe produtivo, para um importante diferencial de agregação de valor final, pois já se sabe que o produto final de uma proteína produzida em sistema de bem estar animal reflete um ganho considerável em qualidade final e não só no fator quantidade em peso !

 

                              Uma grande vantagem que estamos constatando no sistema anteriormente implantado e hoje transformado em PRV com altas cargas, é a construção da fertilidade do solo, que vem ocorrendo de forma lenta, continuada e crescente, com decréscimo da anterior necessidade de constantes adubações com fertilizantes solúveis. A redução de gastos na manutenção das pastagens é evidente, passamos de atividades de reforma e muitas vezes de nova implantação em área total, para simples manutenções. Outro fator constatado que a cada novo ciclo de entrada/saída de descanso dos piquets, é o menor aparecimento de plantas indesejadas, o que reflete o acerto de manejo, pois as plantas chamadas daninhas só surgem como forma de resposta do solo a algo que está sendo feito de forma equivocada, atuando como plantas indicativas de erro.

 

                             Com o aumento do pisoteio e da alta carga de fertilizante sólido/líquido no piquet, notamos um despertar do banco de sementes existentes no solo, muitas das plantas até desaparecidas em razão do sobrepastejo de períodos anteriores, o que novamente refletiu em ganho nutricional aos animais pois no citado banco (policultivo), é oportunizado ao animal uma gama importante e variada de forragens e plantas silvestres.

 

                            Assim o próprio fator de alta carga de ovinos/m2 de área a ser pastoreada, já implica numa evidente mudança de hábito desses ovinos, que passam a deixar de lado, uma característica comum a espécie, que é a alta seletividade na escolha do que comer, para um comportamento, como já dito, voraz, comendo de tudo, em pastejo contínuo e constante, reduzindo assim o desgaste das forrageiras mais atrativas, não ocorrendo mais a redução drástica de algumas populações e o surgimento desequilibrado de outras de hábito mais invasor. Tal mudança de hábito com o tempo tem favorecido um pluralismo de espécies na rebrota, o que não acontecia nos ciclos anteriores (sistema continuo extensivo), pois com o tempo, o animal escolhia o que comer (tinha tempo e não havia competição) e hoje come o que vê pela frente, pois caminha pouco e ao seus lados existem vários ovinos disputando aquela pastagem!

                                    Outro ponto importante da entrada todos os dias em um piquet novo, com os pastoreados em descanso, já foi possível analisar uma queda acentuada na reinfestação da verminose, um problem crônico e fator de limitação e muitas vezes de impedimento do sistema produtivo ovino em pequenas áreas.

 

                                        O PRV é norteado por 4 Leis Universais do Pastoreio Racional:

LEI DO REPOUSO

LEI DA OCUPAÇÃO

LEI DA AJUDA

LEI DOS RENDIMENTOS REGULARES

 

                         A regra que não podemos perder de vista no PRV é que devemos proteger e auxiliar o pasto no seu crescimento, e devemos auxiliar o animal em sua colheita de Pasto!

 

                           O projeto é muito novo, as variáveis são infinitas, a observação tem que ser diária e constante, com respostas rápidas, frente à tomada de dados diária. Mas uma certeza já temos, não há comparação de resultados entre o sistema PRV para ovinos e os sistemas tradicionais de pastejo intensivo seletivo ou mesmo extensivo, rotacionado ou não, com a sistemática implementada pelo PRV, os ganhos são crescentes e em cada novo ciclo que se inicia, notamos alguma nova diferença positiva e complementar ao sistema, formando ambiente muito interessante de reciclagem, consumo e transformação de nutrientes...

 

 

             Tales Machado Altoé

                  Bosque Olivos

                        1/10/2018

 

  


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